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O toque que acaricia a alma

Atualizado: 14 de ago. de 2020

Sônia Ruella


Aprendemos, na infância, que temos cinco sentidos. Entretanto, a Antroposofia, de Rudolf Steiner, nos fala dos 12 sentidos do ser humano. A pedagogia Waldorf aprofunda, na prática, essa teoria e nos mostra a importância de considerá-los para que as crianças possam desenvolver-se plenamente.

O tato é um dos primeiros sentidos de grande relevância e que precisa ser valorizado, pois vivemos em um mundo em que tudo o que prevalece é muito visual e auditivo.

Tatear é muito mais do que a mera capacidade de sentir com as mãos. Na verdade, o sentido do tato está presente em todo o corpo, já que o órgão da percepção do toque está na superfície dele inteiro, ou seja, em toda a pele. Através dela, experienciamos o mundo de inúmeras formas: no contato com a água, com os tecidos que tocam nossa pele, com o ar que sopra e esfria ou aquece, forte ou suavemente em nós, em nossas narinas, quando sentimos o chão sob nossos pés, na língua que tateia palato, dentes e lábios, quando falamos, nos olhos que piscam e outras tantas sensações táteis que vivemos, no dia a dia.

Enfim, toda a nossa vida está entrelaçada com experiências táteis em todos os lugares.


Quando o bebê nasce, deve encontrar a mesma qualidade de bem-estar, prazer, movimentos, comida, cheiros, aparência e presença que experimentou no ventre de sua mãe. Essas experiências agradáveis são possíveis de serem vivenciadas ​​em um ambiente maternal e aconchegante de presença contínua.

Os bebês são muito sensíveis ao toque. O nascimento já é como uma massagem profunda para o bebê: estimula os sentidos da pele e a prepara para respirar. O primeiro toque do ar frio que o bebê sente na pele, ao nascer, já é uma primeira sensação de definição corporal, a noção de estar fora em contraste com a vida dentro do útero.

Por isso, é tão importante promover o contato pele a pele sempre que possível, para as sensações táteis que acalmam o bebê, além de outras como o cheiro da pele da mãe e o batimento cardíaco. Pesquisas revelam que o bebê fica mais tranquilo ao amamentar o peito esquerdo da mãe, onde pode “sentir” melhor o batimento cardíaco dela.

A pele é um órgão de percepção muito delicado que vai além de capturar as nuances e qualidades dos fenômenos do mundo, embora isso por si só já seja muito importante, pois, nos permite familiarizar-nos com eles, para distinguir a diversidade das coisas do mundo e atribuir propriedades a elas. Quando temos uma impressão tátil causada pelo contato externo, experimentamos essa impressão em nós mesmos, internamente. Essa experiência gera em nós uma alteração de nosso estado de espírito.



Rudolf Steiner considerou que a percepção tátil é a ressonância interna do contato com o mundo físico externo imediato.

De maneira sutil, o organismo inteiro reage como um corpo de ressonância às diferentes nuances do toque. Nossa vida emocional está conectada à esfera do nosso corpo.

Podemos perceber quanto o sentido do tato é importante quando outros sentidos falham: uma pessoa surda pode ouvir e apreciar música com toque, ou uma pessoa cega pode ver o mundo sentindo.

Considerando a importância do tato no desenvolvimento da vida da criança é fundamental pensar na qualidade dos materiais a que expomos a criança, principalmente, as pequeninas. É por isso que, na pedagogia Waldorf, procura-se oferecer às crianças muitas oportunidades de desenvolver intensamente o sentido do tato através de materiais nobres, vivos e naturais.





Sônia Ruella


Fonoaudióloga, Educadora e Mantenedora do Centro Educacional Alecrim Dourado

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