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Os trabalhos manuais na terceira idade

Atualizado: 14 de ago. de 2020

Stella Ferreira


Segundo Steiner, a terceira idade se inicia a partir do 63º ano de vida, período que a pessoa pode repassar atentamente seu passado com o intuito de compreender a verdadeira razão dos acontecimentos vividos. A partir deste período, é comum que tenha vontade de escrever sua autobiografia ou retornar aos bons e velhos tempos.


“As pessoas idosas retornam voluntariamente às suas ocupações favoritas da juventude quando não mais solicitadas ou quando seus trabalhos não são mais requisitados; elas cuidam das flores, observam um pássaro, e abrem novamente aqueles livros que as demandas da vida outrora haviam fechado.”
Wilhelm Grimm

Nesta retomada das ocupações favoritas podemos incluir os trabalhos manuais, e quando pensamos neles, imediatamente vem à lembrança o tricô, o crochê e o bordado e os ligamos automaticamente ao artesanato feito por nossas avós para passar o tempo ou complementar a renda da casa.


Na verdade, o trabalho artesanal vai muito além do que o simples fazer.


Através do trabalho das mãos, expressamos nossa liberdade e individualidade e contamos nossa história. No caso dos trabalhos manuais feitos com fios como o tricô, o crochê, e o bordado, trabalhamos na altura do tórax, onde habita nosso sistema rítmico e onde trabalhamos nossos sentimentos. Seu ritmo de fazer naturalmente é mais lento, exige atenção, e os movimentos repetitivos e cadenciados nos levam a um estado de introspecção que nos permite organizar as ideias e ter consciência corporal. Cada trabalho manual carrega em si a subjetividade de quem o fez, o que o torna único.


Atualmente as culturas ocidentais vivem um paradoxo de se viver muito sem parecer velho; a não aceitação da impermanência das coisas, causando sentimentos como a ansiedade e depressão, esquecendo que mais importante que as limitações físicas e cabelos brancos, é a sabedoria que só é possível ao longo da vida.


Para os idosos é importante verbalizar suas memórias, e os trabalhos manuais nos permitem dar voz e escuta necessárias para as narrativas daqueles que já viveram um bom período da vida, que tem histórias para contar e que nem sempre encontram quem lhes dê ouvidos.


Com os trabalhos manuais, podemos enriquecer e ilustrar estas narrativas do cotidiano, que nos são muito ricas, pois elas fazem parte da memória coletiva e individual que vão compondo e constituindo a história de um povo e criando lugares de memória, perpetuando uma época que ficou para trás.


Peças de crochê, tricô e bordado são bons exemplos de lugares de memória. Contam histórias de família, de cidade, de quem os fez ou presenteou, onde e em que época foi feito.


Incentivar o fazer dos trabalhos manuais para idosos é como um suspiro de vida e uma volta ao tempo que lhe é tão familiar e acolhedor.



Stella Ferreira


Mãe Waldorf, empreendedora, especialista em artes manuais para educação, criadora e idealizadora da Fios de Estrela.


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